1.9.11

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 Professor Layton and the Curious Village

Quando lembro da minha sexta série alguns momentos cruciais me vêm à cabeça: meu primeiro beijo; a feira de ciências que mostramos todo o aparelho respiratório de uma arara; a excitação das aulas de educação física antes do recreio; e o nervosismo quando a professora entregava a prova (exclusivamente feita à caneta!) e a comparação de notas.

Geralmente eu ia bem nas provas. Assim como meus amigos, nunca fui um aluno tão estudioso mas entendia tudo, não precisávamos ficar horas decorando fórmula de bháskara ou qualquer outra fórmula esquecível. Logo, passávamos vários fins de semana jogando vídeo games e futebol ao invés de estudar (nossas mães estavam seguras da nossa capacidade).

Como todos tirávamos boas notas, a competição era inevitável e, consequentemente, as apostas. Começamos apostando os materiais do colégio, figurinhas, bolinhas de gude e tazos até chegarmos em um nível maior: coxinhas de frango no recreio. Quem tirasse as maiores notas nas provas entre nós ganhava uma semana de coxinha de frango e Choco-Milk dos amigos.

Ah, sim, o nervosismo de receber a prova corrigida da professora: era esse o momento que eu quero recapitular. Todos tivemos esse momento, mesmo com reações diferentes. E sabe quando vemos as respostas que estavam óbvias mas colocamos a opção errada não sabemos por qual razão? Eu tive essa sensação inúmeras vezes. E também tive a sensação de querer voltar no tempo e poder marcar a opção correta para poder comer coxinha e Choco-Milk o resto da semana.

Em Professor Layton and the Curious Village você tem essa chance de voltar. Professor Layton é um jogo de enigmas e você como um mestre em resolvê-los encontra as respostas. Sua história é boa e flui, mas o grande problema deste jogo é que você não sofre punição nenhuma em errar os enigmas. Basta ir chutando as respostas, resetar o console e responder corretamente. Assim como eu sempre desejei na minha sexta série.

Eu sei, um jogador sério como você deve estar alegando que eu sou um trapaceiro, um preguiçoso. Posso ser, talvez um pouco dos dois, mas o problema é que Professor Layton and the Curious Village nos dá tão facilmente essa oportunidade que em certos momentos você prefere nem pensar em resolver o enigma e sim pedir as três dicas que são disponíveis ao preço de 1 HINT COIN e responder. Assim, mecanicamente, sem nenhuma coxinha e Choco-Milk de recompensa.


Professor Layton and the Curious Village
Desenvolvedor: Level-5
Console: Nintendo DS

30.8.11

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 Super Castlevania IV

O parágrafo a seguir deste texto é para quem não é viciado em crack. Se você for, pode pular.

Imagine Crack. Imagina você fumando uma pedrinha, só uma. Imagina você gostando da parada e querendo mais. Imagina agora você se sentindo um lixo, um sujo, porque você sabe que aquela pedrinha é porca. Imagina agora você fumando outra, e outra, e outra, até querer saber o que vai dar no final.

Castlevania IV é isso. É a pira do crack. Você tá lá, loucaço, com os olhos vermelhos e xingando igual a um zumbi, mas quer continuar e ver o final. Você come mal, dorme mal, e até vende o vídeocassete se ele de alguma forma te ajudar a continuar no jogo, ou te dar uma barrinha de life.

Este jogo foi zerado por mim, Maurílio e Pedrão. Todos nós passamos o cachimbo por exatas 8h04min. E terminamos no Virtual Console do Wii. Aliás, recomendo muito a experiência para quem quer reviver os 8 e 16 bits sem se afogar em cartuchos. O controle clássico simula muito bem a jogabilidade dos consoles mais velhos, só não recomendo para jogos de Nintendo 64 no qual é desastrosa essa simulação.

A história toda não precisa ser contada. Você basicamente revive a aventura com o Simon Belmont do primeiro Castlevania subindo escadas e zoando com o Drácula mais uma vez. As músicas são boas (como esta aqui), algumas originais, outras remixes. E os morcegos e as cabeças de medusa são piores que colonoscopia na montanha-russa.

HARD AS F*CK
Mas o fator que acho importante salientar é o que todos chamam de “desafio” e eu chamo a “pira do crack”. A pira do crack aqui é forte.  A pira é voraz. A sensação de que com mais algumas tentativas você vai chegar no céu e abraçar os anjos é nítida, e por isso você clama por mais um continue. Errou o pulo na escada? Qué isso, irmão, me empresta mais um continue que eu já te devolvo. E assim vai. Até você estar na madrugada, vagando morbidamente e procurando por sobras de outras jogadas. Resmungando, xingando sozinho. Querendo mais.

A pira é forte.

Mas tem aquele momento em que você, viciado, na madrugada, feito um zumbi, vagando morbidamente e falando sozinho encontra o esconderijo do maior traficante de crack da cidade. Tudo ali, só pra você. Imagine a sua felicidade neste momento. Bom, imagine a nossa quando matamos o Drácula.

Super Castlevania IV
Desenvolvimento: Konami
Designer: Masahiro Ueno
Consoles: SNES, Wii Virtual Console